quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sim, eu tive um ataque de loira

Namorado novo, ape novo, pensei: “Vou cozinhar pra ele”. Feliz e orgulhosa de mim mesma, fui ao mercado – lugar antes já freqüentado por mim, contudo apenas para comprar congelados, molhos prontos, miojo, chocolates (muitos) e bebidas em geral (vinhos). Mas desta vez não, desta vez eu cheia de mim entrei na sessão de hortifrutigranjeiros.

Sim, lá estava eu selecionando cebolas. Cebolas de verdade sabe? Não aquelas que já vêm picadas no potinho. Tomates, temperos frescos, pimentões, cenouras, batatas. Tudo muito descascável, itens que demonstravam exigir preparos dedicados para estarem prontos para o consumo. Mas eu estava corajosa e convicta de que as outras pessoas, que também escolhiam aquelas coisas arredondadas, nem notaram que eu era uma cosmopolita adepta de fast-foods e congelados. Eu fazia como eles, pagava vários tomates, com ar de reprovação no olhar, até encontrar o merecedor-que-teria-a-honra-de-entrar-no-saquinho. Aquele saquinho transparente é o pódium do reino vegetal, os escolhidos são “os caras”. Eu saquei a parada!

Já contente com minhas escolhas e me preparando para ir embora, passei em frente a um cesto de laranjas. Pensei, no auge do meu sepuxismo: “Vou fazer um suco de verdade”. Bah, daí sim eu faria uma refeição completa com suco feitinho na hora. Fiquei grandona! Peguei uma fruta e fui até o rapaz atarefado, que pesava e etiquetava os saquinhos cheios, dos clientes saudáveis que formavam uma pequena fila em torno de seu balcão. Bem em frente a ele perguntei: “Moço que tipo de laranja é essa?”. Ele levantou o olhar rapidamente e respondeu ao mesmo tempo em que voltava a sua atividade: “É pêra”.

Puxa, pensei eu, que pena. Fiquei tão frustrada, apalpando a fruta ergui meu rosto decepcionado e disse: “Hum, parece laranja”. Ele levantou o olhar em minha direção novamente, desta vez com mais curiosidade, assim como todas as pessoas da fila. E fez uma cara tipo “do-que-ela-tá-falando”, erguendo a sobrancelha, encolhendo a boca e com um ar interrogativo, assim como todos da fila. Pensei: “ficaram com esse ar de não-entendi-nada, só pq eu confundi, laranja com pêra?...não é um crime tão grave afinal”

Voltei cabisbaixa em direção ao cesto onde havia pego a fruta e no auge da minha tristeza fui recolocando a “pêra” de volta em seu lugar. Em frente ao cesto havia um homem colocando muitas “pêras” em seu saquinho. Bem ao seu lado eu larguei minha poliposishion, mas não contente a peguei de volta e disse em voz alta: “Mas parece laranja”. O homem, que enchia seu saquinho, falou sem parar o que estava fazendo e sem imaginar a importância da revelação bombástica que ia fazer. Ele disse: “Sim, é laranja-pêra”.

Silêncio. Silêncio seguido de cara de “ah ta” com pensamentos questionadores. Como? Pensei como assim? Então aquela fruta sempre foi uma laranja? Nesse tempo todo. Por isso aquelas caras de “qual é a pegadinha?” da galera da fila e o cúmplice deles, o etiquetador. Deve haver algum tipo de senha pra se comunicar com essas pessoas de hortifrutis. Pq ninguém me explicou aquilo antes? Fui embora abatida, ridícula, triste e com a sensação de que não consegui me incluir naquela tribo. Ah, jantamos no Mac.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Aos Meus Amigos - Vera Loca

Composição: Diego Dias Hoje já não somos mais tão magros Nossa memória não é mais a mesma Nosso forte nunca foi a beleza Isso nunca foi problema eu tenho certeza Orgulhosamente seguimos bêbados Orgulhosamente seguimos sonhando Que seremos eternos Nossos filhos serão os jovens E nós os modernos Quem inventou a razão a emoção desconhece Criamos a falsa impressão que só o corpo que cresce Sofremos juntos com a dor dos amigos A amizade é maior do que tudo já diziam os antigos Orgulhosamente seguimos bêbados Orgulhosamente seguimos sonhando Que seremos eternos Nossos filhos serão os jovens E nós os modernos

domingo, 27 de junho de 2010

Promessas Vãs

Qdo me casei pela primeira vz, aos 17 anos, prometi e jurei, diante de um padre, que iria amar, respeitar e viver com aquele homem pelo resto de minha vida, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separasse. Cinco anos depois nos separamos, a tal da morte nem passou perto. O que causou nossa desunião foi uma série de fatores que não estavam na lista de possibilidades no dia do casamento.

A partir daí tive outros relacionamentos, onde mais promessas foram feitas e desfeitas. De ambas as partes. Indignada, comecei a cobrar de quem se aproximava de mim que só me fizesse promessas que poderiam ser cumpridas. E eu, por minha vez, deixei de prometer, preferia o texto “sou livre e independente, quer aceite assim”. Pq qdo avaliava à fundo o teor das possíveis promessas eu enxergava a possibilidade de não conseguir cumpri-las. Então, como a mulher prática que sou, não prometia mais nada à ngm.

Só q isso torna as relações superficiais. Se vc não promete que vai viver como cara pra sempre, que vai lhe ser fiel, que vai amá-lo pelo resto da vida, e ainda, se não jurar que ele é o melhor homem que vc já teve na cama, tem o maior pau e te proporciona os mais intensos orgasmos, ele fica inseguro. Depois fica ciumento e por fim possessivo. A relação se torna uma seqüência de cobranças, seguidas de acordos absurdos. Do tipo: “ok amor, eu não vou mais às jantas com as amigas nas quartas.”; “td bem amor, não usarei mais este vestido curto.”; “blz amor, não irei mais à piscina do clube sozinha, principalmente no dia em que tem futebol no campo ao lado da piscina.”. E por aí vai, vc vai se podando, se tolhendo...até se tornar uma outra pessoa. É como se cada concessão lhe tirasse um pedacinho, e qdo vc fica sem pedaços, quer se reconstruir. E caba mais um relacionamento.

Nesse ponto vc já percebeu que vive um dilema. Pq se dá sua palavra prometendo que vai viver para sempre ao lado dele, e resolve terminar. Ele vai te jogar isso na sua cara. Mesmo que vc argumente dizendo que não suporta mais a falta de atenção dele, como o dia em que ele esqueceu de ir ao jantar que combinaram, no restaurante onde se Qconheceram, no dia do aniversário de namoro. Ou, o total desinteresse dele por sua família - ele nunca quer passar datas festivas com seus pais, enquanto vc se esforça para aturar a mãe superprotetora dele. Tb não suporta mais as insinuações sarcásticas dele em relação ao seu trabalho, tipo: “mais uma viagem de trabalho? É a terceira este ano!”. E, por fim, as constantes traições dele. A gota d’água!

Ms mesmo que vc tenha um livro de argumentos, ele fica surdo. E só o que faz é lhe cobrar, dizer que vc está quebrando a promessa que fez. Vc jurou, prometeu que ia viver com ele pelo resto da vida. Não pode terminar assim. Não tem palavra?

Tentei uma alternativa, ciente de que prometer me obriga a cumprir minha palavra, independentemente da atitude dele, e não-prometer implica num relacionamento inseguro. Decidi prometer, ms declarei quebrada minha promessa diante do comportamento inadequado dele. Não deu certo. Gerou uma mistura de insegurança-com-vc-não-tem-palavra. Pensei que declarando minha quebra de promessa eu teria tipo um “salvo-conduto”. Mas não rola.

Sendo assim, passei a acreditar que tdas as promessas são vãs, e se eu pudesse faria um decreto contra promessas e juramentos. Ms, por outro lado, isso não resolve o problema da insegurança masculina. Então para resolver este paradoxo sugiro que promessas e juramentos só devem ser firmados diante de um contrato, detalhando em cláusulas bem claras em que condições a promessa se estabelece.

Tipo: cláusula primeira: a namorada\esposa fica livre da promessa em caso de ele esquecer constantemente datas comemorativas (isso inclui o presente), implicar com seu trabalho, ficar bêbado e fzr cena de ciúmes na festa de aniversário de seu primo, querer que vc lave a roupa imunda do futebol dele, coisas assim, ah e, é claro, em caso de traição e agressão (verbal e\ou física), eles adoram trair.

Promessas daqui pra frente só diante de contratos. Vou sugerir pra minha amiga advogada pensar nos termos do meu próximo contrato. Pq o que é combinado não é caro.